terça-feira, 24 de novembro de 2009

bem me quer mal me quer


De cara
O primeiro olhar
Revelando o que depois de alguns dias se confirmou
De alguma forma eu te chamei
Teus olhos me ouviram e o telefone tocou
Te prendi na minha poesia
Com medo do medo que já se apossou
É difícil ter num só corpo uma cabeça e um coração
Será defeito de fabricação?
Os dois dificilmente dão a mesma opinião
Ambos já falharam pelo menos uma vez
São medrosos e afobados
Todas as chances de darem conselhos errados
Hoje eu acordei e te liguei
Felizmente ainda tenho a impulsividade dos que agem sem pesar
Você deveria ter notado que tinha de ser hoje
Porque agora pode ser nunca mais
Não vou pedir paciência
Eu também canso e me abandono
Mas fiquei ligado
Quero ser tua
Mas meus escudos quebram os encantos
A menina sonhou um dia que voava
Nunca teve asas
Confiou na mão do anjo que a levava
De repente acordou no asfalto
Roupas rasgadas
Carros dentro de carros
Dentro de postes
Muita gente se feriu
Ela tentou se comunicar
Mas viu seu corpo no chão e entendeu
Virou alma a vagar
Sempre sem par

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Por favor



Chorando pela própria solidão
Ninguém para lhe abraçar
Ou para ouvir o seu silêncio
Parece tão fácil dar isso a quem precisa
Ela sempre sabe chegar
Se doar
Ser luz no caminho de quem não acha a saída
Mas quando é ela quem precisa não encontra
Um colo pra deitar
Um ombro pra chorar
Quem dá?
Olhem pra ela, por favor
Deixem que ela chore pela sua dor
Não pela solidão
Porque quando uma coisa se curar
Vai haver outra ainda pra chorar
Cuidem dela
Eu já não posso mais
Empresto as minhas palavras para que a leiam
Mas já estou muito fraca
Se não me atenderem pode ser tarde demais

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dias felizes


O inferno é às vezes a única opção
Não falo de escolhas
De ações que te levam para lá
A intenção nunca foi viver na guerra
A mentira era meu escudo para o medo
Só eu sei o quanto temi e temo
Sou uma pessoa boa
Mas contigo sempre fui errada
Não foi de propósito, eu juro
Já pedi desculpas tantas vezes
Tenho explicação para cada passo dado no vazio
Só não consigo achar razão para os caminhos que não escolhi
Impotente é como eu me sinto
Presa num agora sem motivos
Gritando pelo salva-vidas na beira da praia
E olha que eu nem molhei a parte de cima
Quando eu era pequena apareceu gente para me salvar
Hoje a água cobre o meu peito como numa areia movediça
E comprime o meu diafragma
Ninguém me ouve chamar
Já pensei em me entregar
Uma vez amei e perdi o meu amado
Um dia ele voltou, ficou
Aprendi que a vida que se leva no amor
Tem sempre chance de se safar
Erros que se pontuam na tentativa do acerto
Deus não deixa acabar
E parece mesmo que vai ser nós dois
Até o final
Como na música do Camelo
Eu ainda vou ver o jogo se realizar
Num lugar seguro
Talvez alguém leia os meus lábios
Mesmo sem ouvir a minha voz

domingo, 15 de novembro de 2009

114 anos de história



Há tempos estou devendo um texto sobre o Flamengo, e não somente sobre, mas principalmente PARA o Flamengo. Minha escrita é sempre sobre o que pulsa dentro de mim, e o futebol é latente, o meu time é a maior parte do ar que me dá vida.


Queria falar sobre a alegria de ser rubro-negra, queria detalhar cada emoção de se acompanhar um time, se dedicar a ele e tê-lo acima de todas as coisas. Queria simplesmente descrever o que é estar no coração de uma torcida, ao lado da bateria e de corpos suados, arrepiados. Todos vibrando na mesma frequência, no mais verdadeiro dos sentimentos. Vou contar-lhes um segredo: é nesse lugar que as minhas orações são feitas, de frente para o Cristo de braços abertos, e só encontro conforto parecido quando estou no mar. É tanta pureza que choro toda vez que ouço as palmas durante o hino, com os olhos fechados e braços levantados de mãos abertas, buscando sugar toda aquela energia. Minhas palmas só duram até começar o "eu teria, eu desgosto profundo..."... é a partir daí que a cena que eu descrevi acontece. E então, "ele vibra, ele é fibra, muita libra já pesou, Flamengo até morrer eu sou", recolho meus braços e aplaudo junto toda aquela beleza, levo as mãos ao rosto, seco as lágrimas, respiro fundo e pronto, agradeço.

Estou agradecendo agora.

Não posso deixar de lembrar o dia em que gritei pela primeira vez o nome do time que eu escolhi. Foi na final da Campeonato Carioca de 1993 (dia 16 de junho). A disputa foi entre o vasco e o fluminense, o vasco foi o campeão. Na casa da minha avó, meus tios e meus pais jogavam cartas na mesa da cozinha. Eu tinha 5 anos de idade e estava sentada no colo da minha mãe. De repente chegou a outra parte da família, outros primos e outros tios, esses voltavam do maracanã felizes da vida com o título. Eu lembro que chovia e eles chegaram com uma bandeira enorme do vasco encharcada! Enquanto eles curtiam na deles, tudo bem (apesar do meu coração ir contra tudo aquilo), eles também poderiam tirar sarro dos tricolores presentes, mas não, o fluminense parecia que nem tinha jogado. Eles foram curtir com a cara os flamenguistas. E quem quase pagou o pato? A pequenininha gorducha bonequinha da família: eu! Quando vieram com aquela bandeira (eca!) pra cima de mim, gritando “ ê, vascão!!!.. Flamengo merda...” ninguém me segurou, ninguém “fez a minha cabeça”, nada, simplesmente joguei o troço no chão e gritei: vasco é a puta que o pariu, eu sou é Flamengo! Desde então tomei pavor a tudo que me lembra ao vasco e a todos os infelizes sem time que, no caso, são anti-Flamengo. Hoje em dia isso mudou um pouquinho... meu pai era vascaíno, e desde de que ele mudou da terra para junto de Deus, o que não tem muito tempo, confesso uma simpatia pelo vasco, mas só porque é um pedacinho do meu pai que ainda vive, e o no bar aqui de casa os dois copos ainda estão lá, lado a lado, o do Flamengo e o do vasco, e ninguém tem coragem de tirar. Enfim, isso foi só um à parte.

A conclusão que cheguei é a de que o Flamengo faz parte da minha formação como ser humano. E faço das palavras do Arthur Mulemberg, no post de hoje no Urubog, as minhas quando ele fala que o Flamengo é o mestre dele, o responsável por ensinar sobre honra, responsabilidade e dedicação, e apenas completemento com mais uma palavra: lealdade. Talvez seja esse o motivo pelo qual se ama o Flamengo, pelo qual milhões de pessoas se rendem, sem nem mesmo entender o porquê, e pelo qual outras simplesmente não entendem tamanha devoção e amor por um time.

Eu só quero cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro.

Feliz aniversário.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ipanema solidária



Cai

Cai

Cai

Cai cai

Cai cai cai cai Cai
Molha mais
Dispenso a proteção
Depois de Chico, Maria e Caju
Só você para chegada e saída
Caminhar contigo e um copo de açaí
É tudo o que preciso

Atraindo olhares dos homens que correm
Das mulheres de salto alto
Espremendo-se nas estreitas marquises de uma Ipanema solidária
Emprestando-me sua beleza
Salgando-me da brisa
Perfumando-me de mar

Cai
Cai mais
Hoje eu quero dançar espalhando seus pingos pela sala
Quero o suor da água brilhando atrás da blusa branca
Vem, amiga do meu fogo
Me espalha
Até os anéis escorrerem dos meus dedos
Até os olhos acharem meu homem

Leve-me para casa
Embale o meu sono com a melodia do cheiro da terra molhada
Sonho
E era contigo que eu me jogava
Disse não à nuvem cor de prata
Soltei todas as amarras e caí

C
a
a
a
í
leeeeeeeve...
liiiiiiiiiiiiiivre...

Eu não tenho medo de mim.