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elucubrações de guardanapo
quarta-feira, 9 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
In quieto
(exercício #3 – uma situação, um período, um fragmento, ação e emoção)
Você
estava mentindo pra myn.
Nada
vai me fazer crer no contrario.
Você
disse que era cansaço. Demorou para atender o telefone, estava silêncio, você
falava como se tivesse corrido para uma janela afastada; antes de te ligar eu
tive um ataque de pânico, caminhar do quarto até a cozinha foi quase
impossível, as pernas tremiam, não sabia se corria sem olhar para trás ou
caminhava lentamente de costas com os olhos fixos de quem precisa passar por um
cachorro feroz. Da cozinha até o quarto foi pior ainda. Eu me pedia calma e
apelava para meu ser superior que eu me ouvisse, esse medo não existe, esse
medo não existe! (pausa)
Vou
ligar pra você.
Você
monossilábico e distante; falo do meu medo e sinto a pressa que a sua calma
tinha. Boa noite amor, um beijo. Eu sabia exatamente os seus próximos passos:
vai me ligar de novo, vai ter a voz alegre e querer falar comigo por muito
tempo, contar o seu dia com detalhes, saber do meu, e vai ligar ainda uma
ultima vez você estava mentindo pra mim. O que você estava mentindo pra si?
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Sobre a caixa e outros bichos
ser eu mesma ao extremo
extremo oposto dela que não se preocupa em incomodar
incomoda por querer
porque seu umbigo é o mais bonito
e não reconhece insegurança
desejo é ação realizada
voz calculada
foco e direção.
Eu sou estampa que desmancha
não sei bancar minha aflição
e ali, calada, dentro da caixa
eu afirmei minha posição
de quem olha e só se permite partir quando tem vontade.
Nesse ponto somos iguais, eu e ela
Estamos e somos
com toda potência e volúpia
pulsação
de quem é e ponto.
De quem se perde no meio do caminho
ou de quem toma consciência antes que se perca
foi por escolha
ou por atestar que não se tem o que fazer
ou que não está preparado ainda para ser diferente.
*Performance realizada no dia 17 de novembro de 2011;
*De 12:30h até 14:30h;
*Local: UNIRIO - Centro de Letras e Artes;
*Local: UNIRIO - Centro de Letras e Artes;
*Por: Michelly Barros;
*Orientação: Tania Alice,
*Referência: Grupo Meyd Inn Rio, Relações Perigosas.
(E tudo começou com a impossível tarefa de separar a razão da emoção.)
domingo, 6 de novembro de 2011
A verdade
Não posso amor, dizer que te amo
Se o digo, não acredite
Do amor que sinto
Só será possível dizê-lo depois do fim
Morre alguma coisa toda vez que a fala sai
O próprio amor é que se afasta
Fica ausente atrás das palavras
Mas se eu te chamo amor, acredite
Porque o chamado é no presente
E seja lá quando for
Meu amor pertence ao sempre
Sem começo
Sem fim
sábado, 24 de setembro de 2011
A Coisa
Sinal verde constante
Avante
Vermelho com amarelo só aumenta a fome
Atenção
Abro os olhos numa manhã sem precedentes
Na hora exata da ação inventada
Tudo é reação em relação
Ao que não volta nem com o Vento
Um senhor barbudo, meio sujo, meio bicho, meio gente
Gentileza
Dizem que Deus protege os loucos, as crianças e os bêbados
E eu que não descobri ainda o que é ser o contrário disso
Que não me privo de mim
Refém de um absurdo cego e mudo
Digo amém – com e sem acento
No fundo dá no mesmo
Porque no fundo da sala que eu sentei
Eu pude observar melhor as pessoas
Ver seus egos dançando sem se tocarem
Assim como o meu
Mas numa distância mal calculada, misturada
Nunca sei onde eu termino e onde começa o outro
É preciso ter noção de espaço
E todos os pensamentos mudam
Quando o que sinto é o vazio de dentro
Você estava ali, dentro
E quem vai dizer que é impossível dois corpos ocuparem o mesmo lugar
Ao mesmo tempo
Você estava ali
Aqui
Dentro
E então eu me levanto do fundo da sala
Tremendo de medo
Ouso abrir a boca
Balbuciar qualquer coisa rouca depois de muito tempo calada
Quem vocês pensam que são?
Silêncio.
Minha voz fraca ficou forte, coragem
Repito: Quem vocês pensam que são?
A coisa mais bonita é a coisa mais bonita
Coisa, pra sempre coisa
E não me obriguem a achar uma definição
Tem um buraco em mim
Entra!
Quisera eu poder te fazer uma fenda e descansar por lá
Entrar
E sentir o avesso da tua pele
Te fazendo doer por dentro a dor dos que precisam de afeto
Você nunca saberá o que é ter uma boceta, um útero
E eu nunca saberei o que é ter um pau pra sentir tudo isso,
A boca do mundo
Definitivamente, não somos iguais
É básico, é claro
Tudo afasta, tudo aproxima
Tudo é
Tu-do-é
Quando enfio a minha cabeça no teu peito e aperto forte o nosso abraço
É porque eu quero ser como você,
Quero entrar em você assim como você consegue entrar em mim
E consigo, consigo mesmo
E então o que faz as minhas pernas se abrirem é o teu sorriso
A tua boca vermelha, a tua língua
Que mesmo anestesiada, não me nega o último beijo
E eu digo vem
Vem!
É mais que pernas, mais que pelos, mais que músculos
Mais que pau e boceta
É o contrário da pressa
O contrário do medo
O contrário da vergonha
O contrário do vazio
É cheio
É a coisa
Essa coisa que quando respira é o universo inteiro
Porque os egos descansam,
Cessam a dança
A magia do silêncio se refaz
A impossibilidade
O ser por inteiro
A pausa
A paz
E a dor que se sente é a dor da poesia
Da organização, do significado encontrado
A dor da arte
A dor da beleza
E o espelho no teto anuncia
Está pronta a obra
Encontrem os encaixes
Encaixem-se!
E a dor nunca mais será ataque como escudo
A dor será amor
A rima que nunca se perderá no tempo
A reação de quem traz o peito aberto
Para ouvir a música mais bela
Todas elas
A música do mundo
Agora sim:
Dança comigo?
Danço contigo
Estamos juntos.
Sim, a coisa é confusa.
Sim, a coisa é confusa.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Qual a cor da sua felicidade?
I Seminário Internacional do Corpo Cênico
UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Performance realizada por Michelly Barros e Priscilla Credie
12/09/2011
Coordenação: Tania Alice
12/09/2011
Coordenação: Tania Alice
QUAL A COR DA SUA FELICIDADE?
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| Foto: Michelly Barros |
-Pinte a sua felicidade.
-É pra pintar o que eu quiser onde eu quiser?
-Fique à vontade.
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| Foto: Tania Alice |
-Qual a cor da minha felicidade? Eu não sei. Mas vou ser feliz pintando!
| Foto: Gabriel Carneiro O início, a forma - um coração aqui, uma palavra ali... contenção. "Eu espero que isso saia com água..." |
| Foto: Gabriel Carneiro |
Teve gente que não quis se sujar e ficou de fora observando. Mas não era obrigatório se sujar... E eu pergunto: E aí? O que você está fazendo com a sua felicidade?
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| Foto: Gabriel Carneiro Teve gente que voltou depois... "Ah, eu quero ser feliz!" |
| Foto: Gabriel Carneiro |
Alguém comenta: "Quanta liberdade!"
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| Foto: Gabriel Carneiro Abraço grátis: Porque perder a piada é se perder da vida. |
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| Foto: Gabriel Carneiro |
-Sim, sai com água.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Ruídos
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| Cena do curta Balada das Duas Mocinhas de Botafogo Balada das Duas Mocinhas de Botafogo Um filme de Fernando Valle e João Caetano Feyer Com Guta Stresser e Fernanda Boechat (2006) "Botafogo, bairro carioca dos casarões antigos, das colegiais em flor... do cemitério. Duas irmãs só como Vinicius de Morais viu." Clique para assistir ao filme (14 min) Eram duas menininhas Filhas de boa família: Uma chamada Marina A outra chamada Marília. Os dezoito da primeira Eram brejeiros e finos Os vinte da irmã cabiam Numa mulher pequenina. Sem terem nada de feias Não chegavam a ser bonitas Mas eram meninas-moças De pele fresca e macia. O nome ilustre que tinham De um pai desaparecido Nelas deixara a evidência De tempos mais bem vividos. A mãe pertencia à classe Das largadas de marido Seus oito lustros de vida Davam a impressão de mais cinco. Sofria muito de asma E da desgraça das filhas Que, posto boas meninas Eram tão desprotegidas E por total abandono Davam mais do que galinhas. Casa de porta e janela Era a sua moradia E dentro da casa aquela Mãe pobre e melancolia. Quando à noite as menininhas Se aprontavam pra sair A loba materna uivava Suas torpes profecias. De fato deve ser triste Ter duas filhas assim Que nada tendo a ofertar Em troca de uma saída Dão tudo o que têm aos homens: A mão, o sexo, o ouvido E até mesmo, quando instadas Outras flores do organismo. Foi assim que se espalhou A fama das menininhas Através do que esse disse E do que aquele diria. Quando a um grupo de rapazes A noite não era madrinha E a caça de mulher grátis Resultava-lhes maninha Um deles qualquer lembrava De Marília e de Marina E um telefone soava De um constante toque cínico No útero de uma mãe E suas duas filhinhas. Oh, vida torva e mesquinha A de Marília e Marina Vida de porta e janela Sem amor e sem comida Vida de arroz requentado E média com pão dormido Vida de sola furada E cotovelo puído Com seios moços no corpo E na mente sonhos idos! Marília perdera o seu Nos dedos de um caixeirinho Que o que dava em coca-cola Cobrava em rude carinho. Com quatorze apenas feitos Marina não era mais virgem Abrira os prados do ventre A um treinador pervertido. Embora as lutas do sexo Não deixem marcas visíveis Tirante as flores lilases Do sadismo e da sevícia Às vezes deixam no amplexo Uma grande náusea íntima E transformam o que é de gosto Num desgosto incoercível. E era esse bem o caso De Marina e de Marília Quando sozinhas em casa Não tinham com quem sair. Ficavam olhando paradas As paredes carcomidas Mascando bolas de chicles Bebendo água de moringa. Que abismos de desconsolo Ante seus olhos se abriam Ao ouvirem a asma materna Silvar no quarto vizinho! Os monstros da solidão Uivavam no seu vazio E elas então se abraçavam Se beijavam e se mordiam Imitando coisas vistas Coisas vistas e vividas Enchendo as frondes da noite De pipilares tardios. Ah, se o sêmem de um minuto Fecundasse as menininhas E nelas crescessem ventres Mais do que a tristeza íntima! Talvez de novo o mistério Morasse em seus olhos findos E nos seus lábios inconhos Enflorescessem sorrisos. Talvez a face dos homens Se fizesse, de maligna Na doce máscara pensa Do seu sonho de meninas! Mas tal não fosse o destino De Marília e de Marina. Um dia, que a noite trouxe Coberto de cinzas frias Como sempre acontecia Quando achavam-se sozinhas No velho sofá da sala Brincaram-se as menininhas. Depois se olharam nos olhos Nos seus pobres olhos findos Marina apagou a luz Deram-se as mãos, foram indo Pela rua transversal Cheia de negros baldios. Às vezes pela calçada Brincavam de amarelinha Como faziam no tempo Da casa dos tempos idos. Diante do cemitério Já nada mais se diziam. Vinha um bonde a nove-pontos... Marina puxou Marília E diante do semovente Crescendo em luzes aflitas Num desesperado abraço Postaram-se as menininhas. Foi só um grito e o ruído Da freada sobre os trilhos E por toda parte o sangue De Marília e de Marina. Vinicius de Morais |
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Diz pra mim
"Felicidade é só questão de ser" "Acho que estou pedindo uma coisa normal, felicidade é um bem natural" "Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente" " Happiness is a warm gun" "Don't worry, be happy" "Felicidade, eu que quero andar na vida namorando você" "Sou feliz, por isso estou aqui" "A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor, brilha tranquila, depois de leve oscila, e cai como uma lágrima de amor... A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve, precisa que haja vento sem parar" "Não existe um caminho pra felicidade, a felicidade é o caminho" "Esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade"
?
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Cor-Ação
Depois da pergunta, a resposta
Depois da resposta, o alívio
Depois do alívio, o sono tranqüilo
Depois do sono, a manhã cinza
bonita
mas o peito doendo...
Lateja alguma coisa por fora
Alguma coisa pro dentro
O bico esquerdo está dolorido, duro
Como leite empedrado de uma mãe que não gerou nenhum filho
Efeito da decisão
Você indo embora pela porta que chegou:
o coração.
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