Domingo, 12 de Julho de 2009
Vem comigo
Não quero dizer uma coisa e achar que não deveria ter dito
Fazer uma escolha e duvidar dela
Decidi acreditar que quem brinca com a sorte é aquele que desaparece
Assisto-me há quase duas décadas e digo certa de olhos abertos
Que é boa a vida que eu levo
Meu show não se compra com dificuldade
Minha experiência não é pouca
E afeto é só o que eu peço
Sinceridade como exigência de ambas as partes
Mas reconheço a impossibilidade
Muitas são as pessoas que têm olhos e não usam
Têm ouvidos e não escutam
Feliz de mim
Ai de mim
Que vivo assim
Que tenho vez
Que não tenho vez
Mas a sorte está lançada
E a minha paz é real
Quisera eu poder ensinar que o amor em tudo o que se faz é fundamental
O meio que justifica todos os fins
Vem comigo.
Domingo, 5 de Julho de 2009
Estrada amarela
Não vou esperar a sua hora de entrar para entrar também
Eu não quero seguir passos desacompanhados
Eu não quero dormir e acordar no vazio dos meus próprios braços
Eu quero a meia-hora do beijo
Quero mostrar que a falta do tempo só se faz pra quem não se quer
Quero realizar, não quero imaginar
Não quero dormir e nem acordar
Quero porque te quero
Não quero por tanto te querer
Estou muito cansada
Minha alma não é nova
Por isso leva vida de criança
Conhece o livro e reconhece o bom de estar de volta
Encontra a paz no sorriso da loira bonita
E no olhar esverdeado daquele rapaz
Acredita na força do acaso
E diz sim pra tudo o que é encontro
Bebe na fonte da liberdade
E consegue ver todo o valor
Do presente ausente ou penitente
Ela sempre entende mesmo impaciente
Ela sabe o que quer e me ensina
E eu que não sou boba
Nem mulher nem menina
Nem orgulho nem sabedoria
Empresto os meus olhos por um caminho
Entrego o meu coração aberto
Fecho as portas do desespero
E confio
Eu realmente confio
Sigo de bem comigo
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
De fora
Tudo o que sai é tão bobo quanto o cara que acorda, toma banho, vai pro trabalho, toma um café e cumpre o dia, volta pra casa, janta na frente da televisão e dorme e acorda, toma banho e faz tudo de novo.
Não sou poeta, sou uma oportunista de ocasião.
Antes tudo era motivo, hoje eu vivo.
Mas fora do papel não me sinto.
O tempo foi passando e tudo mudando, eu inclusive, mas o que me prendia ainda permanece.
Não falo daqueles por quem esperei e não vieram,
Falo de quem nunca apareceu de verdade.
Arrisco um novo palpite
Mesmo medroso
E desejo até sem saber
A verdade é que eu não sei
Mas sigo quem nunca me faltou, a não ser naquela vez em que o conto se desfez:
A intuição.
Enquanto isso sigo a minha mais antiga companhia:
A lucidez.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Deixa pra lá
Escrever pra você aquela carta
Falar de como eu me sinto
Quanto te quero
Não faz sentido
Em mim ficaram as digitais
Não dos teus braços
Cheguei a sentir meu corpo molhado
Da saliva que você trazia fresca no tato
Gosto dela
Toque dela
Antes você
Quem me dera, sem ela
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Doce lamento
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Brincadeira de criança
Sabia exatamente que jogo era aquele e o seu ponto de chegada
Gosto de te ter na minha mão
É verdade que parte de mim recusava e ainda recusa
Dizendo que manipular é roubar
Mas o animal quando sente que pode ganhar
Não se importa em burlar
Fui animal naquela noite em que o frio escondia a máscara
Disse coisas que não teria dito se fosse somente humana
É que o animal chama e eu não o consigo calar quando é a minha vez de jogar
Pelos meus olhos podia-se sentir o cheiro do prazer de te ter um brinquedo
Voltar a ser criança é bom depois de tanto tempo sem quebrar nada
Porque nem quando era permitido eu o fazia
Tudo meu sempre foi inteiro
Mas agora a menina está de volta
No relógio que roda ao contrário
E nesses ponteiros ela se delicia
Arrancando parte por parte do boneco programado
Naquele tempo em que pela primeira vez chorou
E sabendo que braços e pernas são fáceis de retirar
Enfiou as mãos no coração e puxou
Sábado, 23 de Maio de 2009
Jogo da vida
- Por que você pegou esse canto? O da esquerda sempre anda mais rápido. – Disse ele.
- É? – fraco e triste, disse a menina.
Ela sabia que a pista da direita era a mais lenta, afinal aquele era o seu caminho de todos os dias.
O rapaz não foi capaz de notar que tudo o que ela queria era estar com ele por mais tempo.
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
De corpo inteiro - entrevista póstuma por Clarice Lispector
“uma mulher lúcida e apaixonada”
Realmente acho que nunca passei por um grande momento de decisão, porque quando se fala desse jeito, penso logo num marco, em algo que te muda completamente de direção. Eu acredito que toda vida, seja ela curta ou não, é feita de escolhas, e essas são diárias, e pra cada opção de caminho, outras inúmeras opções se abrem e a partir daí novas escolhas. O tempo todo temos que decidir sobre alguma pequena coisa, e esses pequenos momentos vão moldando a nova vida.
Tenho profunda admiração pelas personagens marginais.
A Lívia do Jorge Amado, uma mulher lúcida e apaixonada. Ela é só coração, faz tudo por amor, e quando o mundo desaba, ela cai junto, mas recolhe seus caquinhos e volta mais forte do que antes, do que todos.
É quando me sinto presa em algum lugar do qual não consigo me libertar.
Eu sempre escrevi, é dessa forma que me organizo e entendo melhor as coisas.
De todos que eu publico, sempre acho que tem alguma coisa importante ali que merece ser compartilhada.
Não me considero uma escritora no sentido profissional da palavra, eu escrevo por necessidade.
Flamengo. E o seu?
Ah, Clarice, fala sério, né?
.
Fique feliz em saber que você gosta de futebol pelo menos, porque eu sou completamente viciada, adoro!
.
Antes de ficar em cartaz por mais de 2 meses com uma mesma peça eu me perguntava se isso aconteceria, porque realmente parece cansativo, mas isso não acontece, é sempre uma renovação de energia e tudo parece que está sendo feito pela primeira vez.
O amor.
Saber ser leal e gentil, não só com os outros, consigo mesmo também.
Não sei definir, mas sinto. Como eu disse, é a coisa mais importante do mundo.
Muito até.
Sim, algumas vezes.
A minha realização profissional e amar e ser amada.
Domingo, 17 de Maio de 2009
A Filha da Lua
A minha poesia não é um poema
Ela segue a liberdade da cadência dos meus passos
Não busco hoje o teu amor refeito em versos
Fico com a busca do nosso silêncio
Talvez o conto de fadas se refaça
Acho que está acontecendo
Você não me esqueceu e eu não fiquei te devendo
Mas se quiser, cobre-me o que te pertence
É claro que você sabe
Os elogios foram largados
Infindados
Encerro-me em surpresas para ti
Reconhecerás o meu canto em todos os lugares
Não se preocupa com o caminho
Meus olhos vão te guiar
Tome cuidado, touro
Carneiro não é nada frágil
Todos sabem
E a tua força vai descarregar
Por enquanto tens para quem voltar
Não te desejo o fim daqueles dois ou três
Mas a mulher tem poder
Ela dança transformando adultos em crianças
Se ela quer é melhor dar
Agarra a tua sorte
Para teres pelo menos com quem chorar
Uma vez, duas
Na terceira ela já não está
Não são 25 de dezembro
Mas as Marias vão se alinhar
É março, são 28
Ela vai chegar
Filha da Lua
Afilhada primeira do Sol
Diz logo qual é a tua
Os Reis estão chegando para presenteá-la
É tempo de renovação
Vai, bicho manso
Por onde andam teus olhos?
Não enxergas mais o vermelho que ela veste?
A cor ainda é a mesma
E o som das pulseiras nos chama
Vamos lá ver a moça que dança
Jogue uma moeda
Faça um pedido
E canta
Com ela estarás a salvo
Esquece aquela idéia de que viver junto é revertério
Um sempre será pouco
És um touro ou um burro?
Você não é loiro e ela tampouco tem olhos verdes
Mas o castelo é real
O conto já foi escrito
Vire a página se quiser saber o final
Vai agora, moço estranho
Dê a ela uma resposta
Vem agora, menino malcriado
Um, dois, três
E já.
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Paraíso perdido
Aqui
Por mais que eu ande
Que eu mude
Que eu simule
Sempre acabo aqui
O aqui me assombra
E por aqui eu fico
Por tédio
Pela dor
Pela dependência
Ou simplesmente por amor
Não sei
O aqui me prende
Lamparina
troca de lugar
revira
verdades antigas
mentira!
agora duvida
mas reza
sem rosto
perdida
única certeza
a luz vermelha
há uma saída
sabe-se que não é a rima
pelo menos essa se domina
tudo permanece
ela passa
transformando-se sem querer
sem saber não se acha
não se fala de erros nem acertos
passarinho é livre porque não sabe disso
se a melhor coisa para o homem era não ter nascido
se a segunda melhor coisa é morrer o mais rápido possível
deixa-se quimar ao som do tambor novamente
um gato não poderia ter mais vidas
o mundo é pesado, menina
toma cuidado
não banaliza a escrita
grita
os tempos não mudaram
repetir-se é permitido
ficar é que é impossível
O que você não viu
Descoberta
Autodestruição
Seja pelo tédio ou pelo vício
Quero acabar com o desperdício
Amor pingado quase implorado
Tesouro virando coisa nenhuma
Hoje eu quero acabar contigo
Invejar tudo o que tens
Tuas certezas, teus princípios
Teus amigos e teus amores
Tua casa, teus vizinhos
Tua cerveja e os teus versos
Pelo prazer da destruição
Eu quero ver é o circo pegar fogo
Ouvir o berro abafado de fumaça da bailarina
Eu quero tudo cinza
Mais que o teu sangue
Mais que a tua morte
Desejo a tua vida
Só para ter o prazer de destruí-la
Minha sede é demais
Minhas metáforas hoje são de menos
Já chega das meias palavras e das gentilezas
Da criação imbecil que não dá mais certo
Da sensibilidade e da sublimidade
Chega de tentar unir o impossível
Eu tenho pressa, odeio a perfeição
Eu quero a tua carne, cuspir na tua alma
Olhar os teus olhos de piedade
Santidade
E beijar a tua boca como se fosse a única
E de repente, não mais que de repente
Rir do teu pranto
Hoje eu quero acabar com tudo
Só por prazer
2'58''
A visita
- Quem é?
- Não me reconheces mais?
- Não sei tem algo que me é familiar, mas não consigo lembrar... não! Não pode ser. Como você pode estar de volta?
- Isso deve ser muito confuso para a sua cabecinha realmente, mas sou eu mesmo.
- Como pode estar presente naquela época e nesta ao mesmo tempo?
- Veja bem, não estou lá, estou aqui.
- O que você quer de mim?
- A principio te lembrar que não podes me abandonar
- Mas eu não escolhi te deixar
- Não se preocupe, eu sei que é da minha natureza ficar para trás, e que é da natureza humana caminhar para frente.
- Mas quero que saiba que nunca escolhi te esquecer. Não pensar em você talvez fosse uma saída para a dor que eu sentia, e foi. Só que nem assim eu consegui te apagar, você sempre viveu no vai e vem da minha memória.
- Comover-me-ia se pudesse me dar ao luxo de sentir alguma coisa, mas deixo as lágrimas só para a senhora.
- Por favor, por que está de volta?
- Também estou aqui para descobrir.
- Como assim? Não tem a resposta?
- Só a senhora tem a resposta.
- Eu?
- Não se esqueça que eu sou apenas uma parte da sua vida.
- Você veio para ficar?
- Eu voltei agora, e esse agora pode sim demorar.
- E a quem devo cobrar? Não vê que me dói te encontrar?
- Já te disse que não sei, talvez algo tenha ficado pendente comigo.
- Jura que não sabe?
- Eu te adoro, faria tudo pra não te ver nessa agonia, mas essa vida não é minha.
- De qualquer forma é bom te ter por perto, mas tenho medo dessa, nem sei como chamar... estranha alegria.
- Eu prometo que só vou te machucar o necessário.
- Mas eu já sofri tanto com essa história...
- Nós sabemos, mas a dor não vai ser nova. Fica tranqüila, afinal, tudo o está em mim a senhora reconhece.
- Acho que começo a entender. É como quando a gente sai e deixa a porta aberta...
- ...E uma hora é preciso voltar para fechá-la.
- Ou não, talvez tenha sido de propósito, para outro entrar.
- Tudo é possível, mas os buracos que trago, como a senhora mesmo disse, foram blindados contra o esquecimento.
- E eu mesma os blindei...
- É, a senhora entendeu.
- E são grandes?
- Alguns.
- Quantos?
- Só a senhora para saber.
- Devem ser muitos...
- A senhora respira com dificuldade.
- Faz tempo que não vivo em paz.
- Por quê?
- Não sei, talvez eu soubesse que você chegaria.
- Então a senhora me chamou.
- Não sei se tenho esse poder.
- Querida, entenda, basta desejar.
- Acho que ainda não estou preparada.
- Mas se você me trouxe de volta, saberá o que fazer.
- Posso te pedir um favor?
- Qualquer um.
- Só parta quando estiver tudo resolvido.
- Vou partir quando a senhora quiser.
- Obrigada. Por favor, sente-se. Vou te trazer uma caneca de chá.
- Chá? Como a senhora está mudada.
- Sim, mas ainda há a coca bem gelada!
- Serei o que quiseres que eu seja.
- Levante-se, venha, temos muito que conversar. Fique comigo o tempo todo, até eu decidir se bebo coca ou chá.
- Nós vamos nos achar.
E os dois saíram de braços dados, a moça e o seu passado.
Arianos
Tudo que me deixaste foi poesia. Economizaste versos meus com a tua filosofia. Escrevo porque sei que dessa forma estás me ouvindo, e tem que ser agora, tudo de uma vez, ou então nunca mais.
Do mar à lua, exagero em cada passo dado, vivo aprisionada, mas sou livre para ser o que eu quiser, e estou sendo nesse momento e em todas as vezes que te ouço me escrevendo.
Esse mundo-puteiro me sufoca e quase perco de vez a voz, mas há o coração ainda batendo, há a madrugada e um copo com vodka. Há a nossa corte agradecendo pela cara da morte que eu represento, viva.
Hoje sou bossa nova, mas teu rock me trás de volta, assim é o nosso show.
Leve-me para qualquer lado, preciso estar acompanhada, por mais que a minha-nossa vocação seja a solidão, mas a dois tudo fica mais fácil. Vê, também, se deixa para mim um trago do teu cigarro, porque a vida é bela e cruel quando despida, mas fica tranqüilo, não preciso de explicações no caminho, sou tua mulher com razão. E eu entendo bem o porquê da gente ser assim. Cuide-me com uma flor, o seu bebê, pois só as mães são felizes.
Eu te inventei, fiz dos teus restos meu interesse. E aos que não compreendem a beleza de proteger um nome por amor, peço piedade ao Senhor, pois a Lua não é somente bela do Arpoador, ela brilha até mesmo por de trás das nuvens que vejo da janela onde o bom e o sucesso se unem.
Na minha cabeça toca free again, essa é a boa nova. Vamos à luta, o dia há de nascer feliz, até porque a noite nunca tem fim.
O nosso dedo já foi furado e o pacto para sempre selado. Áries está em festa.
Mais uma dose, por favor
- Mais uma dose, por favor.
E a vontade era incontrolável, ela não estava conseguindo se controlar.
- Obrigada.
A sua alma não podia mais esperar. Ela estava ofegante, podia-se ouvir o som da sua respiração. Sua pele ia e vinha por cima do coração fazendo soar por todo o seu corpo o desejo que a cada pensamento, digo, na velocidade do pensamento, aumentava e aumentava e aumentava, e ela já não podia esperar, e vai acontecer, está acontecendo, está vindo...
Ela agora gargalhava!
Inevitável retrospectiva
DescobrINDO
Trenzinho caipira
Paradoxo
Eu sou o telhado de ardósia que aquece as casas nas noites de frio
Eu sou o sol do meio-dia
Eu sou o tiro acelerado da artilharia para impedir o avanço do inimigo
Eu sou a lava vulcânica, sou um vulcão em erupção
Eu sou o salto mais alto
Eu sou o som das palmas no Maracanã
Eu sou as ondas do mar em dia de tempestade
Eu sou o que tem força, valente, robusto, corpulento,
Rijo, sólido, poderoso,
Possante, consistente, muito alcoólico,
Substancioso, energético e animoso.
Mas a argila se desmancha
Meio-dia, às vezes, está nublado
O rifle fica sem munição
O fogo mata
O impulso passa a não ter valor
O Flamengo perde
O ar se esgota
O eu fica fraco, débil, quebradiço,
Delicado, insignificante, sem vigor
Leviano, mole e frouxo,
Sujeito a sucumbir às tentações
Efêmero,
Transitório.
Eu sou o contra-senso, a contradição, o que não se encaixa,
Disparate, tolice,
Despautério,
Paradoxo.

